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  Celso Fonseca em bom clima de feriado
Hagamenon Brito
Correio da Bahia - 13/02/2008

Compositor carioca expande parcerias em seu novo e ensolarado álbum

Compositor, arranjador, violonista e produtor, o carioca Celso Fonseca, 51, vem, discretamente, criando uma obra que rejuvenesce a bossa e o sambalançopop. O músico, que acompanhou Gilberto Gil por mais de 15 anos, consolidou a sua carreira de compositor ao lado de Ronaldo Bastos, uma parceria iniciada ainda na década de 1980 e que foi bem sintetizada no CD Polaroides, editado em 2007.

Em seu novo álbum, Feriado (EMI), Celso expande parcerias e faz o seu trabalho mais eclético, combinando suas faces de autor e intérprete. Novos (D2, MC Leozinho) e velhos cariocas (Tom Jobim, Eumir Deodato), baianos de ontem (Caetano Veloso) e hoje (Luciano Salvador Bahia) convivem em harmonia com ecos do novo jazz (Jamie Cullum) e criam uma atmosfera ensolarada, pop e sedutora. A seguir, leia entrevista com o artista, feita por e-mail.

DISCOMANIA - Feriado é um projeto de clima despretensioso. Como surgiu a idéia de reunir um repertório parte autoral, parte explorando sua face de intérprete?
CELSO FONSECA - É um projeto que levou mais tempo do que o normal para ser feito. Normalmente, levo um mês e pouco para gravar e finalizar tudo. Esse disco levou um ano e meio, exatamente porque tive que trabalhar nos intervalos das viagens ao exterior. Parte do repertório eu já vinha fazendo nos meus shows. Sempre procuro misturar o trabalho autoral com músicas de outros artistas – coisas que gosto de cantar e outras que coloco no repertório para fazer um balanço ou até mesmo contraponto com outras canções autorais. Tem muitas músicas que eu gostaria de ter escrito e por isso gosto de fazer a minha leitura pessoal, trazendo-as para o meu universo musical.

D - E a participação do Marcelo D2 em Viajando na viagem?
CF - Admiro muito as coisas que o D2 tem feito. A fusão dele do hip hop com o samba é das melhores que eu conheço. Seus discos são muito bem produzidos e ele é um craque. Quando o convidei para participar, ele me disse que faria a rima na hora, no estúdio mesmo. Chegou lá, me pediu um tempinho e acabou fazendo em 20 minutos! Fiquei muito feliz com o resultado.

D - Aliás, tem vários músicos jovens do hip hop carioca entre os colaboradores. O que te interessa no universo do hip hop?
CF - Muitos desses músicos são meus amigos. Não tenho preconceito com nenhum gênero de música e o hip hop tem coisas muito interessantes, tanto em termos de idéias musicais como de texto também. Não gosto das letras que estimulam a violência ou que tratam unicamente desse assunto. Conheço alguns grupos e artistas que não seguem esse caminho e isso é bom. Acho que consegui captar do estilo aquilo que me interessa. No caso do Feriado, foi o talento do D2, do MC Marechal e do Damien Seth – que também fez as programações.

D - O que te levou a convidar Liminha para a co-produção? Um olhar mais pop (e de fora)?
CF - Conheço e trabalho com o Liminha há quase 30 anos e admiro profundamente seu talento de instrumentista e produtor. Nesse trabalho, procurei, sim, um olhar de fora, já que normalmente produzo meus discos sozinho. Não necessariamente busquei um olhar mais pop – aliás, não acho esse disco menos ou mais pop do que os outros que já fiz, por exemplo. O que eu queria era mesmo o olhar diferente visto por outra pessoa. Foi muito bom trabalhar novamente com ele.

D - Por que gravar Águas de março (Tom Jobim), um clássico que já foi tantas vezes gravado por outros artistas?
CF - Porque acho que esse é um dos sambas mais bonitos do mundo. Porque sou fã do Tom e quis fazer minha leitura pessoal da canção. Nunca me preocupo se uma música que gosto já foi gravada muitas vezes. Acho sempre que cada um vai achar um jeito diferente de interpretar uma canção.

D - Como você tomou conhecimento da composição de Luciano Bahia, o samba Queda?
CF - A composição de Luciano Bahia me foi apresentada pelo Ronaldo Bastos e me encantei pela canção e pelo compositor. Ouvi seu disco na casa do Ronaldo e decidi gravar Queda. A maneira com que ele descreve uma situação que faz parte do inconsciente coletivo me deixou fascinado. Ele conta a história de uma forma simples, direta e com muito humor. Ele é um craque. Depois, descobri que temos alguns amigos baianos em comum. Adoraria conhecê-lo pessoalmente e quem sabe fazermos uma parceria.

D – Ficou bacana também a sua versão bossa de Next year, baby, do cantor e pianista inglês de jazz pop Jamie Cullum...
CF - Jamie Cullum eu admiro há muito tempo. Desde quando nos conhecemos em Londres, na época da gravação do seu segundo disco, em 2003. Ele foi duas vezes ao meu show e nos tornamos fãs do trabalho um do outro. Voltei a vê-lo quando ele esteve no Brasil. Adoro a maneira como ele combina elementos do jazz com um trabalho mais autoral. Suas releituras de canções de outros compositores é tão brilhante quanto suas próprias composições. Além disso, é um grande instrumentista e uma simpatia de pessoa. Gravei Next year, baby porque a canção mexeu muito comigo desde a primeira vez que a ouvi. Sem falar no fato de que eu me identifico completamente com o que diz a letra.

Disco: Feriado
Artista: Celso Fonseca
Produção: Celso Fonseca e
Liminha
Gravadora: EMI
Preço: R$28,90 (em média)
 
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